domingo, 31 de julho de 2016

A influência do Twitter no mercado financeiro


O que você faria se descobrisse que basta acompanhar um fórum ou monitorar uma determinada fatia dos usuários do Twitter para prever como vai se comportar o mercado financeiro?

Com essa dúvida e para não perder a oportunidade muitas empresas do setor financeiro já adotaram, em seus setores de inteligência, o monitoramento constante das redes sociais para tentar prever as tendências do mercado. Esse tipo de trabalho já é realizado desde de 2011, em Wall Street, e ganhou a confiança do mercado financeiro após a publicação de um estudo realizado pela Universidade de Indiana que aponta 87,6% de precisão nos resultados no fechamento do pregão.

O estudo baseado na economia comportamental identificou que ao avaliar o tipo de emoção (felicidade x tristeza, amor x ódio e insegurança x otimismo) que o público transmite por meio de mensagens em redes sociais é possível traduzir esse mesmo tipo de emoção para a forma como o mercado financeiro vai se comportar.

Um outro estudo realizado pela Universidade Nacional da China identificou  uma correlação positiva entre o desempenho no preço das ações e as redes sociais. Neste estudo de caso foi avaliada a flutuação de índices da Dow Jones e Nasdaq com a percepção dos comentários postados em redes sociais. O resultado foi a descoberta de uma forte tendência do mercado se deixar influenciar pela percepção pública de comentários da redes.

Esse tipo de inteligência já demonstra ter ganhado a atenção de empresas e em 2012 foi lançada a ferramenta Wall Street Birds que fornece análise aprofundada da percepção de marcas e eventos online, para que os investidores possam saber onde e como investir com o menor risco.

Como funcionam os a análise de mercado pelo Twitter

Com base nas pesquisas citadas foi reproduzido um passo-a-passo de foram realizados os estudos:

1. Captura de tweets diários;
2. Analisar tweets qualitativamente as postagens publicadas;
3. Determinar o humor das postagens ("positivo" x "negativo" ou "insegurança" x "otimismo");
4. Se o humor é positivo ou apresentam tendência otimista é sinal que o mercado vai fechar em alta devido a alta nas compras de papeis;
5. Se o humor é negativo ou apresentam tendências de insegurança é um indicativo de queda com uma acentuada venda de papeis.

* Em ambos os estudos foi constado que a duração de cada leitura pode variar entre um e três dias para se efetivar.

Brasil ignora riscos de manipulação digital
No Brasil, o mercado financeiro ainda prefere ignorar ou não falar abertamente sobre a utilização de redes sociais para manipular e/ou investir no mercado financeiro. A própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM) até hoje não tem nenhuma normatização ou regulamento próprio para possíveis casos de fraudes originadas nas redes sociais. Embora, 2014 a Instituição tenha realizado um estudo sobre o utilização das mídias sociais em mercados de capitais de outros países e identificou baixa atividade com objetivo de manipular o mercado. Além do estudo, em fevereiro de 2016, no ofício circular nº 02/2016, a entidade destaca:
Ressalta-se ainda que se aplicam às divulgações realizadas em mídias sociais as mesmas regras previstas nas normas que tratam da divulgação de informações, notadamente as que disciplinam a divulgação de informações relevantes (Instrução CVM nº358/02) e estabelecem regras gerais sobre conteúdo e forma das informações que os emissores devem observar (artigos 14 a 19 da Instrução CVM nº480/09). Isso significa, por exemplo, que os administradores e acionistas controladores: (a) só podem divulgar informações relativas  a atos ou fatos  relevantes  em  redes  sociais,  após  ou  simultaneamente à divulgação dessas informações pelos meios de comunicação hoje admitidos na Instrução CVM nº 358/02; e (b) devem divulgar nas redes sociais, assim como em qualquer outro meio ou documento, informações verdadeiras, completas, consistentes e que não induzam o investidor a erro, conforme exigido no artigo 14 da Instrução CVM nº 480.

Embora seja um primeiro passo, ainda demonstra ser incipiente. Afinal, o insider trading é um conceito subjetivo mesmo para a legislação existente. Afinal, nas redes sociais a barreira entre o público e privado, ainda é uma linha tênue. Um exemplo são os fóruns de economia. Em poucos minutos é possível observar uma variedade gigantesca de dicas e especulações de como o mercado vai operar no dia. O diferencial desse espaço para o Twitter e reúne investidores, funcionários de corretoras e operadores da bolsa.

 A BM&FBovespa, também, não possuí regras específicas para possíveis manipulações do mercado dentro de redes sociais. Mas afirma que em caso de suspeitas será instaurada uma comissão para analisar os possíveis casos. No entanto, essa aparente displicência das instituições financeiras em relação as vulnerabilidades do mercado podem ser avaliadas por dois pontos: elas estão preparadas para qualquer tipo de ataque especulativo e preferem omitir a informação para não gerar pânico no mercado ou este é o momento ideal de ir as compras e fazer dinheiro com a falta de preparo das instituições sobre o alcance das redes sociais.

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