terça-feira, 20 de outubro de 2009

Afinal, o que faz um Analista de Mídias Sociais?

Bom, gostaria de dar a minha contribuição profissional sobre o texto do André. Vi neste post, a oportunidade de esclarecer melhor o que é ser um Analista de Mídias Sociais, pelo menos, baseada na experiência que adquiri após um ano e meio atuando nesta área.
Concordo que existam “Analistas de Mídias Sociais” que sejam nada mais, nada menos, que websurfers mal remunerados ou “garotos de seeding”, que passam metade do dia selecionando comunidades para fazer control c + v até os dedos formarem calos. Esta, felizmente, não é a realidade de todos os analistas e das agências sérias que trabalham com Mídia Social. Isto é um simples reflexo de agências ou empresas que não entenderam o que está havendo com o mercado e com as novas tecnologias.

Antes de mais nada, o Analista precisa ser um comunicador:
Muitas agências, inicialmente, abriram vagas sem distinção de formação e deram oportunidades a blogueiros ou pessoas de qualquer área acadêmica que fossem apaixonadas por internet para exercer o cargo. Isso traz vantagens e desvantagens: pessoas familiarizadas com o meio têm bom networking e intimidade com as ferramentas, em geral, são habituadas com a linguagem/abordagem que cada canal necessita. No entanto, não têm conhecimentos suficientes de análises de mercado, bechmarking, planejamento de campanhas baseadas em estratégias de marketing, processo de decisão de compra, entre tantas outras teorias que fazem diferença na aplicação da prática.

Precisa entender o comportamento do consumidor:

Fazer uma longa pesquisa sobre o público, sobre a relação dele com a marca, campanhas anteriores, análise da concorrência, possíveis erros de percurso, novas abordagens etc. Devorar dados do mercado e de institutos de pesquisa, acompanhar redes sociais em ascensão independente do gosto pessoal, saber o que está rolando na TV aberta (sim, você é um Analista de Mídias e o público consome todas elas), absorver a teoria da melhor forma possível, seja comprando livros, indo a palestras, lendo blogs, ouvindo podcasts, mas se informando e renovando conhecimentos a todo instante.

Precisa ser criativo e ágil:
Muitas campanhas pedem a criação de personagens, definição de abordagem e linguagem, e muitos analistas ficam na linha de fogo entre consumidores satisfeitos e insatisfeitos, respondendo pela marca.
A responsabilidade de “ser a marca” em uma rede social é GIGANTESCA. A reputação de uma marca que se constrói durante anos, através de campanhas de publicidade e relacionamento, de repente, está exposta ali nas mãos de um Analista em uma conta no Twitter. Um passo em falso, uma atitude impensada pode colocar tudo a perder, ou pelo menos, fazer um bom estrago.

Precisa ter visão e conhecimento estratégico:
Atualmente, as empresas que abriram canais de comunicação nas mídias sociais estão se deparando com as mudanças que esses canais podem demandar em sua estrutura. Críticas e insatisfações que levariam meses para chegar ás mãos de um gestor podem ser rapidamente identificadas e repassadas através dos relatórios de ação e monitoramento. Elas não substituem o trabalho de um instituto de pesquisa, mas mostram um reflexo claro de um rastro de pólvora que pode se alastrar rapidamente em milhares de comunidades e twitts. Resumindo, o papel do Analista também é identificar ameaças e oportunidades e colocá-las da forma mais adequada para os clientes.

Conclusões
Toda regra tem sua exceção. Me considero uma boa Analista, conheço e já trabalhei com alguns bons Analistas e pretendo continuar levando este cargo na minha carteira de trabalho por uns bons anos. Amo o que faço, tenho orgulho de cada aula assistida nos quatro anos de graduação e dois de pós, das marcas que me permitiram aprender um pouco mais sobre o comportamento do consumidor e das agências que me deram oportunidade de trabalhar nesta área. O mercado é novo, o contexto e novo e acho que não cabem generalizações. Existem bons publicitários e maus publicitários, boas agências e más agências, bons gestores e gestores de merda (perdoem o termo). Cabe a nós, que estamos começando na área, buscar as melhores práticas, contribuir para o crescimento do mercado e tentar fazer o melhor.

By Missmoura (Patrícia Moura)

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