quarta-feira, 8 de abril de 2009

A Era da Hipersensibilidade

Ontem, A Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou uma Lei que limita os lugares onde os fumantes podem usufruir do seu direito de estragar a saúde tranquilamente. Seria apenas mais uma, de tantas leis que surgem diariamente para cercear o direito das pessoas de fazerem o que bem entendem da vida, se não fosse pelo fato dos donos de bares e casas noturnas terem que proibir o uso em seus estabelecimentos ou correm o risco de ganharem multas que podem chegar a R$ 3 milhões.

Para o meu espanto vi uma grande quantidade de pessoas, freqüentadores destes ambientes já tradicionalmente infestados de fumaça de cigarros parabenizando a iniciativa.

Como assim? Quer dizer que Eu, fumante, vou ser obrigado a sair de dentro do bar para ir fumar? Por quê então os incomodados não deixam de freqüentar esses ambientes se a fumaça os incomoda tanto?

Eu não gosto de funk e não é por isso que fico reclamando dos bailes!

Essa lei me levou a pensar como ultimamente vivemos de reclamar de tudo e todos. Qualquer coisa nos incomoda ou ofende. Em nenhum momento pensamos no outro. O "Eu" vem sempre em primeiro lugar.

A era da hipocrisia
Somos um monte de merda! Somos arrogantes, esnobes, cheios de defeitos e manias e no final bradamos aos quatro ventos a bandeira da moralidade e do politicamente correto.

Nessa época do politicamente correto não podemos falar de negros, para não sermos considerados racistas; Se for um colega de trabalho ou subordinado seremos acusados de racistas. Eu sou negro, poucas vezes me sinto ofendido e mesmo quando sinto não vou atrás exigindo “justiça” convivo com isso, pois nunca vi ninguém falar que é feio chamar um branco de branco.

Hoje, temos medo de falar com a pessoa do lado que ele (a) é gordo (a), é assédio moral ou o mesmo pode sofrer de algum transtorno psicológico e sermos responsabilizado, por qualquer ato que o gordo estúpido venha cometer.

Falar que uma mulher é incapaz de realizar certos serviços é machismo ou na pior das hipóteses considerados assédio moral. Se ela passar na rua e gritarmos gostosa! É proibido, mesmo se for a mais feia do mundo, pode ser considerado assédio sexual e ainda corremos o risco dela ser menor de idade e se vestir como uma vagabunda da noite simplesmente por estar na moda e você ser acusado de pedófila.

Somos obrigados a conviver no ambiente de trabalho com mulheres, em sua maioria, problemáticas, que reclamam dos hormônios, da tripla jornada, da forma que aquele colega ou chefe olham e de tantas outras reclamações e sentimentos que somente esses seres peculiares conseguem desenvolver.

Oras, foram elas que brigaram para ir para o mercado, queimaram sutiãs para mostrar igualdade e agora reclamam e exigem um tratamento diferenciado. Nessa hora prefiro cair no senso comum e afirmar que se não sabe brincar não desça para o playground!

Usar o termo, imagem ou alusão a um deficiente físico não pode porque é praticamente estar pedindo para sofrer um linchamento público; Isso me lembra um comentário no twitter: "Vi uma menina com uma perna falsa dirigindo e mandando um sms ao mesmo tempo. Depois perde a outra perna e não sabe pq...". Isso é o ser humano em sua essência. Realista. Objetivo. Prático!

A era dos extremos
"A arte nunca é casta, se deveria mantê-la longe de todoos os cândidos ignorantes. Nunca se deveria deixar que gente impreparada se lhe aproximasse. Sim, a Arte é perigosa. Se é casta não é Arte."
(Pablo Picasso)

Castramos nossos artistas que devem saber que não podem pintar, representar, agir sem antes pensar em todos contras, porque prós não vai existir nenhum.

Nossos escritores, que a muito largaram as penas, nem sobre pseudônimos podem mais escrever, pois se a obra for considerada ofensiva, vai amargar anos de processo e uma carreira arruinada. Penso como Shakespeare poderia publicar nos dias de hoje Romeu e Julieta, sem amargar um longo processo.

Diante deste extremismo moral fico imaginando como seremos vistos daqui a dois séculos. Vejo que o mais próximo será como a época em que viveu um retrocesso intelectual e voltou ao século das trevas, da caça as bruxas, das repressões, medos, receios.

No final somos o que Nelson Rodrigues retratou com tanta fidelidade: seres que não conseguem viver sem uma máscara de moralidade e que dentro de quatro paredes somos o lixo humano mais desprezível que já existiu.

Mas o que tudo isso tem a ver com o maldito cigarro que começou esse post? Tudo! Hoje, lutamos para tirar o cigarro do nosso meio, amanhã vamos tentar abolir as bebidas, afinal para que beber deixa um cheiro horrível, incomoda e faz as pessoas cometerem atos absurdos, beijar na boca em lugar público? nem pensar uma criança pode estar passando e isso causar traumas irreversíveis e quando formos dar conta teremos leis para dizer como podemos fazer sexo, como deveremos nos portar em público, como poderemos e devemos respirar e no final alguém ainda vai pensar: e tudo começou com um simples cigarro.

2 comentários:

Michael disse...

Muito bom o Blog! Tem o que mais falta hoje na internet, conteúdo ORIGINAL ! Parabéns!

Danilo Idman disse...

Acho que sim, devemos ter leis cada vez mais rígidas, e apesar de ser fumante, concordo com a lei em sp, que já existe em toda europa e estados unidos. O problema do cigarro e bebida, é questão de saúde pública: qto mais gente fumando e bebendo, mais gente dando gasto pros cofres públicos na área da saúde. Mas concordo contigo em um ponto: daqui a pouco a gente não vai poder fazer mais nada!!! rs

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