sábado, 1 de novembro de 2008

O meu Rio de Janeiro

Precisei de quase dois anos para conseguir entender e escrever sobre o que é se aventurar no Rio de Janeiro. Confesso, que para ter inspiração precisei sair, para sentir a falta e com a abstinência traduzir em palavras o que é a cidade.

O Rio de Janeiro, não é lindo, não é o eldorado que muitos esperam, muito menos uma cidade de conto de fadas e maravilhosa. Começar uma vida na cidade é uma experiência enriquecedora, mas ao mesmo tempo destruidora.

Somente quando você passa a viver na cidade, conhecer os cheiros, na maioria das vezes nem um pouco agradáveis, conviver com várias realidades, com o jeitinho e desconfianças tipicamente carioca é possível entender o que é morar no Rio de Janeiro.

A cidade atrai milhares de pessoas anualmente em busca de realizar um sonho. A grande maioria chega atraída pela possibilidade de trabalhar com televisão ou algo que proporcione a mesma visibilidade. Poucos, muito poucos mesmo vão conseguir um dia chegar ao segundo escalão de alguma produção.

A grande maioria com o tempo vai se ajeitando no comércio, escritórios e até outras profissões muito menos ortodoxas. Uma outra parcela acaba na vida boemia, entre os becos da Lapa e ladeiras de Santa Teresa.

As drogas acabam sendo a companhia de muitos destes sonhadores. A maconha só falta uma lei afirmando que é legalizada, pois nas ruas, praias, praças ou até mesmo em reuniões na casa de amigos e normal e natural alguém tirar um para rodar no grupo.

Os amigos. São raros. Se for da Zona Sul são preciosidades. Carioca, não convida os amigos para irem em suas casas, a menos que seja conhecido desde criança, bares ou no calçadão sempre são algumas das opções. Embora eles apresentem para a grande maioria como irmão. Em comparação os suburbanos estão sempre dispostos a abrirem suas casas para novos conhecidos.

Neste clima do jeitinho, da desconfiança, do querer tirar proveito a qualquer custo e a toda hora, que é me remete imediatamente para os mercados populares, como Uruguaiana, mercado do Saara ou o mercado de Madureira, onde o visitante acha de tudo. Desde um anel de R$ 3 até um notebook Acer Ferrari, por R$ 5 mil.

Neste ambientes populares, de cheiro característico de suor, urina, lixo e creolina o que importa é o poder de negociação e pechincha. Onde o comprador tem que se desfazer da mercadoria para conseguir o melhor preço.

Este passeio entre popular e o bairrismo muito enraizado em todos os âmbitos sociais é que torna o Rio de Janeiro uma cidade mágica e que ainda desperta o sonho de muitos. Uma cidade cheia de possibilidades, mas com a mesma quantidade de armadilhas.

A cidade onde possui bairros famosos como Copacabana, onde reside o maior contingente de idosos, que se locomovem com suas poderosas cadeiras de rodas automatizadas e com o maior número de suicidas.

Talvez seja por causa da solidão. Esta é a melhor palavra para se definir o Rio de Janeiro. A cidade onde você vive uma solidão acompanhada. Arrumar uma companhia para passar a noite é fácil, afinal na orla está cheia de profissionais que vendem um pouco de felicidade. Mas, também é possível encontrar a mesma felicidade gratuita. A grande relação entre as duas é que ambas não serão duradouras.

Diante de tantos pontos contrários fica aquela pergunta porque eu ainda moro no Rio, talvez eu seja igual aos outros e esteja procurando o meu eldorado, meu sonho. Confesso que já tive muitos bons momentos. Sozinho, com amigos ou acompanhado.

Não posso negar que no Rio é possível você sair sozinho e conhecer várias pessoas e ter uma noite super agradável, ir a praia e assistir a um pôr-do-sol que vai parecer uma pintura renascentista, assistir concertos e fazer bons cursos totalmente gratuitos.

Está pode ser uma das possibilidades. Fazendo uma alusão ao enredo de Joãozinho Trinta, talvez está seja a mágica do Rio de Janeiro, manter o luxo e o lixo sempre próximos, sem nenhuma linha divisória.

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