terça-feira, 9 de setembro de 2008

Estarão os estudantes de jornalismo preparados?

A pergunta pode parecer estranha, pois a questão que se vai pondo é se os cursos de jornalismo estão preparados para formar novos profissionais. Mas estarão os alunos preparados para enfrentar os cursos?

Creio que muitas vezes se parte do pressuposto que as novas gerações têm know how suficiente para lidar com o ambiente web, que são digitalmente literados. Pois acho que está errado: acredito que a maioria dos jovens com idade para frequentar o ensino superior não sabe navegar na web, usar ferramentas de publicação de conteúdos, ou apenas reconhecer o que é um feed RSS.

É claro que posso estar enganado, estas minhas ideias não têm fundamento científico, baseiam-se em algumas experiências que tive e de uma sensação que ficou ao lidar com algumas pessoas. Os professores que me lêem podem validar ou não estas opiniões graças a uma observação mais directa das capacidades dos seus alunos.

O artigo que justifica este post fala de alunos de Jornalismo da Universidade de Nova Iorque, que não têm blogs, e que têm programas e professores desfasados da realidade. Se por parte dos alunos eu percebo a falta de iniciativa - também já fui jovem e prguiçoso, agora sou apenas jovem- não compreendo a falta de espírito crítico relativamente à ausência de conteúdos programáticos que englobem os media online de forma exaustiva. No meu curso não me lembro de termos falado uma única vez de conteúdos online, mas isso foi há 10 anos.

A quem se deve apontar responsabilidades? Aos directores dos cursos que não estão cientes do estado actual das coisas (se bem que deveriam era estar cientes do futuro estado das coisas), e aos alunos afectados, por não se queixarem nem se interessarem.Mas também ao sistema de ensino que não promove uma educação digital paralelamente à tradicional - que já é mal dada, em geral.

Podem dizer que toda essa geração de estudantes usa a internet diariamente, e tem contas em redes sociais, usa o messenger, etc. Pois, mas para se transformarem em profissionais de comunicação têm que saber mais do que jogar online, pôr fotos deles e dos amigos no Hi5, sacar música e filmes de borla, e mesmo assim muitas vezes com dificuldades. As competências que se lhes exige são imensuravelmente superiores, há um corpo de conhecimento que agora está a ser criado e posto em prática por um número relativamente reduzido de pessoas fará parte da base de toda uma actividade profissional, ao qual terão que estar atentos.

A questão que ponho é a seguinte: será esta falta de preparação apenas desinteresse intencional, ou uma enorme falta de noção da realidade? Aqui fica também o conselho de Jay Rosen para os jovens que blogam.

Texto extraído do blog de Alexandre Gamela

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